Conclusão indesejada, porém necessária
Às vezes acontece de surgir um fio de alguma idéia, afoita e desavisadamente, em nossos pensamentos (nos meus, pelo menos). Começo a [des]envolver a idéia e algumas implicações inusitadas, outras notadamente soberbas e algumas até pertinentes, não necessariamente nesta ordem, precipitam a surgir. Sempre fui incrédulo quanto à existência de pessoas que o bom senso e a prudência advertem a evitar, ou, pelo menos, com elas ter cuidado. Já fui muito mais, mas ainda hoje sou um tanto, digamos, condescendente e indulgente para com as atitudes "reprováveis" dos que me cercam. Acho, e talvez tenha certeza, que este meu procedimento seja fundado em um certo "medo de confronto". Sinto que a pessoa ficaria ressentida caso soubesse de minha reprovação de seus atos, e o dito "medo" faz-me assumir que deve haver alguma razão subjetiva autojustificável que a fez agir assim. Dessa forma, se o sujeito comete algo reprovável, vou logo justificando que possivelmente ele o fez, senão com as melhores, pelo menos com algumas boas intenções. Sim, pareço mesmo tão ingênuo. Os desavisados chegam a acreditar que possuo a virtude dos "bons olhos". Na verdade sou medroso mesmo; um típico espécime dos tímidos que não herdarão o reino dos céus (Ap. 21:8).
Pois bem, esta minha "credulidade medrosa" começou a ser minada depois que conheci minha então futura esposa, uma menina assazdesconfiada realista, que passou a puxar minhas pálpebras em sentidos opostos num esforço de fazer-me, além de enxergar, admitir o óbvio em relação a certas pessoas. Prefiro não dizer que algumas delas eram pastores, os quais eu considerava – santa ingenuidade – isentos de "pecados voluntários".
Como eu disse, ainda sou muitomedroso crédulo, mas hoje ocorreu que um daqueles fios de idéia dignou-se intrometer um minha cabeça e lembrar-me que Jesus, a quem confesso como Mestre entre outros predicados, foi enfático ao recomendar que seus discípulos, entre os quais aspiro um cantinho, tomassem cautela do "fermento dos fariseus". Alguns talvez não saibam que fermento, para Jesus, significava a doutrina dos religiosos e suas implicações a respeito de assuntos visceralmente relevantes para os filhos de Adão: Deus, vida e morte e destino final. Acontece que Jesus [des]dizia tudo o que os mestres da lei vinham ensinando, publicando que tudo não passava de opiniões meramente humanas e muitas vezes contaminadas por interesses profundamente egoístas. Jesus deixou claro para mim que más intenções existem, especialmente naqueles que detêm o poder e a posição de supostos legítimos representantes e mediadores entre Deus e os homens. Talvez por isso, entre outras motivos, Paulo tenha dito que tal prerrogativa pertence somente a Jesus (e saibam que estou considerando que o homem Jesus de Nazaré é, conforme escreveram, quem ele mesmo disse ser – o filho de Deus – e este blogue existe para que eu me explique porque acredito nisso).
Cristo, este sobrenome herdado, significa ungido – Messias – na tradição judaica. Não podemos admitir que qualquer outro "ungido" assuma o encargo, pois que se atrapalharia todo e acabaria muito, muito mal.
Nem mesmo o aclamado "Estado Laico" está livre desta sina. Afinal, mesmo prescindindo da divindade e da religião, qualquer Estado funda-se no poder e, já dizia Weber, detêm a legitimidade do uso da violência.
Assumo para mim que, idealmente, todo poder pertence somente a Cristo. Há quem diga que o poder corrompe, outro diz que ele apenas revela. Eu diria que o poder tanto corrompe quanto revela o que já é corrompido. Poder, amigos, não foi feito para nós, homens.
Agora, depois do esforço de minha esposa e do desvelamento da mensagem de Jesus, acho que deixarei de ser crédulo. Da política já desacreditei e espero anular meu voto nas próximas eleições. Da igreja institucionalizada estou cada vez mais longe. Só me restam as palavras do mestre que indicam o caminho possível: "Quem quiser ser o maior dentre vós, seja servo dos demais".
Pois bem, esta minha "credulidade medrosa" começou a ser minada depois que conheci minha então futura esposa, uma menina assaz
Como eu disse, ainda sou muito
Cristo, este sobrenome herdado, significa ungido – Messias – na tradição judaica. Não podemos admitir que qualquer outro "ungido" assuma o encargo, pois que se atrapalharia todo e acabaria muito, muito mal.
Nem mesmo o aclamado "Estado Laico" está livre desta sina. Afinal, mesmo prescindindo da divindade e da religião, qualquer Estado funda-se no poder e, já dizia Weber, detêm a legitimidade do uso da violência.
Assumo para mim que, idealmente, todo poder pertence somente a Cristo. Há quem diga que o poder corrompe, outro diz que ele apenas revela. Eu diria que o poder tanto corrompe quanto revela o que já é corrompido. Poder, amigos, não foi feito para nós, homens.
Agora, depois do esforço de minha esposa e do desvelamento da mensagem de Jesus, acho que deixarei de ser crédulo. Da política já desacreditei e espero anular meu voto nas próximas eleições. Da igreja institucionalizada estou cada vez mais longe. Só me restam as palavras do mestre que indicam o caminho possível: "Quem quiser ser o maior dentre vós, seja servo dos demais".
E quão apertado é este caminho...
Que Deus nos ajude a percorre-lo.
4 Comments:
O meu lindo esposo tem a alma muito pura e se ele considera que eu o ajudei a "abrir os olhos", ele me ajudou a enxergar o outro lado. Antes eu era muito desconfiada e ao me relacionar com meu lindo esposo todos esses anos tenho sido agraciada com a pureza e singeleza do seu coração e tenho aprendido a refletir antes de tomar conclusões precipitadas.
"É melhor serem dois do que um"...
Creio que fomos feitos um pro outro.
Hernan, como disse certa vez um velho sábio: "Parece uma crise, mas é o fim de uma ilusão". Deus nos ama demais para manter-nos debaixo de qualquer ilusão, meu caro; mesmo - ou talvez especialmente - em se tratando daquelas ilusões que nos fazem sentir bem.
Raquel, dizem que o amor é cego - prefiro concluir que o amor é uma visão exacerbadamente nítida do potencial do amado. Vocês dois, pelo que estou vendo, são igualmente lindos.
Paulo Brabo, obrigada e concordo que o amor nos mostra tanto o outro como a nós mesmos.
sua esposa é uma dádiva de Deus para você, bem como seu discernimento. Quis Ele abrir-lhe os olhos, e, diga-se de passagem, conseguiu.
não sei quem mais infeliz; se esses lobos em pele de ovelha, ou, se essas "ovelhas" com intuito de lobos.
Postar um comentário
<< Home