O fim de todo sacerdócio
O autor da carta aos Hebreus afirma que em Cristo o sacerdócio levítico teve seu cumprimento e consequente finalização. "O que foi cumprido saiu da agenda", é a lógica da epístola.
Cristo é, segundo os escritos neo-testamentários, o fim de todo sacerdócio e toda necessidade e pretensão de mediação entre Deus e os homens. Deveria causar espanto, no mínimo, o fato de a cristandade manter até hoje, em nome de Cristo, um estrutura organizacional e um discurso institucional que demanda recursos da maior amplitude a fim de manter a formação e a atuação de sacerdotes [sic!], ainda que seja sob títulos vários como "padre", "pastor", "bispo", "papa", "apóstolo" e, ultimamente, "paipóstolo" (seja lá o que for que isso signifique!).
É impressionante e assustador saber que Jesus, revelando-se como o Cristo para deslumbramento da samaritana, tenha dito que doravante a adoração e o relacionamento com Deus não mais estariam restritos a "cidades santas" e seus templos, tampouco a lugares sagrados ou apenas supostamente propícios como montes e, ainda assim, sob o pretexto de adorarem a Deus, muitos não têm poupado esforços para agraciarem-se, sob pretextos mui piedosos, com uma viagem a Jerusalém. Alguns até querem ser batizados no rio Jordão. Não posso deixar de mencionar que Filipe, ao encontrar-se com o inominado eunuco etíope, súdito de Candace, que voltava justamente da adoração em Jerusalém, estando próximos ao Jordão, em vez de dirigirem-se àquele rio, batizou-o no primeiro ajuntamento de água que encontraram pelo caminho, pois o eunuco ouviu de Felipe que Jesus era o Cristo prometido e o cumprimento de tudo quanto estava escrito naquele livro de Isaías, que o etíope ia lendo. Não deixo de desconfiar dos organizadores de tais caravanas a Israel quando a viagem adquire uma espécie de justificativa religiosa, ainda mais porque, em geral, os organizadores viajam "de grátis".
Por incrível que pareça, minha inspiração imediata para escrever sobre este assunto foi adquirida pela leitura atordoante de um sujeito tido como persona non grata para a maioria dos cristãos: Nietzsche em seu "O anti-cristo". Acredito que jamais passou pela cachola do contundente autor que suas asseverações contra o cristianismo pudessem servir para reforçar a adesão de alguém (eu, no caso) a Jesus Cristo! Curiosamente, o próprio Jesus estava perfeitamente cônscio de que suas palavras não apenas poderiam, mas seriam, foram e tem sido usadas exata, porém veladamente, contra si mesmo...
Cristo é, segundo os escritos neo-testamentários, o fim de todo sacerdócio e toda necessidade e pretensão de mediação entre Deus e os homens. Deveria causar espanto, no mínimo, o fato de a cristandade manter até hoje, em nome de Cristo, um estrutura organizacional e um discurso institucional que demanda recursos da maior amplitude a fim de manter a formação e a atuação de sacerdotes [sic!], ainda que seja sob títulos vários como "padre", "pastor", "bispo", "papa", "apóstolo" e, ultimamente, "paipóstolo" (seja lá o que for que isso signifique!).
É impressionante e assustador saber que Jesus, revelando-se como o Cristo para deslumbramento da samaritana, tenha dito que doravante a adoração e o relacionamento com Deus não mais estariam restritos a "cidades santas" e seus templos, tampouco a lugares sagrados ou apenas supostamente propícios como montes e, ainda assim, sob o pretexto de adorarem a Deus, muitos não têm poupado esforços para agraciarem-se, sob pretextos mui piedosos, com uma viagem a Jerusalém. Alguns até querem ser batizados no rio Jordão. Não posso deixar de mencionar que Filipe, ao encontrar-se com o inominado eunuco etíope, súdito de Candace, que voltava justamente da adoração em Jerusalém, estando próximos ao Jordão, em vez de dirigirem-se àquele rio, batizou-o no primeiro ajuntamento de água que encontraram pelo caminho, pois o eunuco ouviu de Felipe que Jesus era o Cristo prometido e o cumprimento de tudo quanto estava escrito naquele livro de Isaías, que o etíope ia lendo. Não deixo de desconfiar dos organizadores de tais caravanas a Israel quando a viagem adquire uma espécie de justificativa religiosa, ainda mais porque, em geral, os organizadores viajam "de grátis".
Por incrível que pareça, minha inspiração imediata para escrever sobre este assunto foi adquirida pela leitura atordoante de um sujeito tido como persona non grata para a maioria dos cristãos: Nietzsche em seu "O anti-cristo". Acredito que jamais passou pela cachola do contundente autor que suas asseverações contra o cristianismo pudessem servir para reforçar a adesão de alguém (eu, no caso) a Jesus Cristo! Curiosamente, o próprio Jesus estava perfeitamente cônscio de que suas palavras não apenas poderiam, mas seriam, foram e tem sido usadas exata, porém veladamente, contra si mesmo...
7 Comments:
NIetzche foi um crítico ácido do cristianismo, dos pastores e da Igreja, especialmente, a protestante. Mas, não de Jesus Cristo. O Anti-Cristo deveria chamar O Anti-Cristão.
Sabe, há uma frase creditada a Shakespeare que creio genial: "até satanás cita as Escrituras para justificar seus fins".
Beijo pra ti, moço. ;)
O Lou mandou bem - o cristianismo tem muitos críticos, mas Jesus muito poucos. Anti-Cristão é acuradíssimo.
Nietzsche era um cara muito lúcido. Louco é quem não vê no Novo Testamento o fim do sacerdócio e das hierarquias e, de forma muito profunda, a aniquilação de todas as religiões.
Dizer que Jesus "fundou" uma religião é tremenda injustiça e talvez o maior dos contrasensos.
Pois é, eu lendo o Nietzsche, e já reforçando o que diz Lou, não achei que ele criticava O Jesus Cristo, criticava o cristianismo, que cá entre nós poderia muito bem ser criticado pelo próprio Cristo. Talvez Cristo dissesse; - Não sou cristão.
No mais, creio, o templo de Deus é nosso corpo, nosso coração lhe basta, se puro.
ótima leitura.
Aquele que desceu é também o mesmo que subiu muito acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas.
E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres,
tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;
até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo;
para que não mais sejamos meninos, inconstantes, levados ao redor por todo vento de doutrina, pela fraudulência dos homens, pela astúcia tendente à maquinação do erro;
Efésios 4:10 a 14
Não me parece que Paulo esteja falando de alguma coisa que já tenha sido aniquilada, já que ele fala que o E.S. "deu uns para isso e outros para aquilo" com vistas ao aperfeiçoamento dos santos.
Como ele (inspirado pelo E.S.) faria uma exposição tão detalhada de algo que está a disposição da igreja para o seu crescimento, sendo que Jesus já teria extirpado da terra tudo isso???
Ou voce interpreta o texto de Hebreus dentro do contexto Vetero-Testamentário em projeção ao Novo Testamento, ou então voce está somente manipulando as palavras para expor suas próprias idéias e atingindo diretamente as atribuições do Espirito Santo como aquele que vela pela igreja e a euipa para enfrentar as alições na terra.
Até mesmo porque a sua referência, sua fonte não sendo a própria Bíblia e sim alguém que se posiciona contrário à Palavra de Deus não tem validade nenhuma, pelo menos não para uma análise exegética.
Amigo "Cosmovisão"
Eu não me referi aos dons ministeriais descritos por Paulo e que tratam de serviço, lembrando que Jesus disse que o maior entre nós é aquele que serve aos demais. Referi-me a sacerdócio mesmo, ou seja, à pretensão de representar o povo diante Deus ou vice-versa, o que é ainda pior. Se observarmos a praxis do cristianismo veremos que subsiste a figura do sacerdote, ainda que com nomes diversos. É triste saber que homens tentam usurpar a posição que pertence a Cristo somente. Mais triste ainda é ve-los obtendo vantagens inclusive financeiras desse fato. O que você acha?
Obrigado pela visita e pelo comentário. Se quiser deixe o endereço de seu blog para que eu possa também visita-lo.
Em Cristo.
Hernan
Concordo com boa parte do que você escreveu, mas certamente por motivos diferentes dos seus. Não poderia ser diferente, eu discordo do primeiro parágrafo.
Veja bem, enquanto esta epístola estava sendo escrita, o ministério levítico estava funcionando. E todos os crentes no Ungido que eram judeus eram assistidos por tal ministério. O próprio Paulo jamais se afastou das práticas judaicas (como ele mesmo disse perante o tribunal).
Há uma profunda incongruência entre a interpretação cristã da doutrina do NT e a narrativa da vida dos crentes mostrados em suas páginas.
Há algo profundamente estranho em interpretações que parecem muito mais bem defendidas pelo texto traduzido do que pelo original.
Renato
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